Veterinary professional preparing an injection beside a horse in a treatment room

Seu cavalo tem Cushing e você já pensou em apostar em suplementos? Um questionário online com 239 tutores belgas e holandeses de cavalos com PPID (Hottat, Van den Bossche & Hesta, Universidade de Ghent, 2026, Vlaams Diergeneeskundig Tijdschrift) mostra como as pessoas realmente manejam a doença. A maioria relata melhora com suplementos, mas a análise estatística não confirmou nenhuma associação entre suplemento e melhora.

Quem respondeu

Foram 326 respostas, 239 consideradas válidas (69% da Holanda, 29% da Bélgica). Todos os cavalos tinham diagnóstico de PPID feito por veterinário: 94% por exame de sangue e 6% só por sinais clínicos. O questionário circulou no Facebook entre janeiro e fevereiro de 2024.

Sinais clínicos mais citados: alterações de pelagem ou pele (58%), mudança de condição corporal (55%) e laminite (41%), além de mudanças de comportamento (35%), infecções (21%) e poliúria/polidipsia (21%).

O que os tutores fazem

  • Pergolida: 79% usavam. Os outros 21% não usavam por efeitos colaterais, custo ou resistência a medicamentos.
  • Dieta: 73% ajustaram a alimentação junto com o tratamento: 61% trocaram o tipo de concentrado, 50% reduziram o pasto, 28% ofereceram outros tipos de volumoso e 22% aumentaram o volumoso.
  • Outras medidas: 35% focaram em cuidados com cascos e 26% em saúde preventiva. 13% não tomavam nenhuma medida adicional.

Os suplementos

46% (110 tutores) usavam suplementos, e quem não usava pergolida usava mais suplementos (P = 0,003). Cerca de 20% os usavam como alternativa ao medicamento e 15% para tentar reduzir a dose.

  • Ervas: 80% dos usuários. Agnocasto (Vitex agnus-castus) em 73%, cúrcuma em 49% e cardo-mariano em 41%.
  • Vitaminas e minerais: 65%. O multivitamínico foi o mais comum (59%), seguido de magnésio (28%), enxofre (20%) e vitamina E (17%).
  • Onde buscaram informação: 42% na internet, 24% com o veterinário.

Entre os que não usavam suplementos, 57% disseram que os sinais já estavam controlados e 38% duvidavam da eficácia.

O resultado que chama atenção

Entre os 100 tutores que avaliaram a melhora, a maioria percebeu benefício: 47% falaram em melhora forte, 30% em melhora leve e 13% em resolução completa dos sinais. Mas, na análise estatística, nenhum suplemento se associou à melhora: nem o agnocasto (P = 0,880) nem o multivitamínico (P = 1,000).

Os próprios autores explicam por que a percepção e os números divergem: a avaliação era subjetiva e sujeita a expectativa e efeito placebo “por procuração”; os cavalos recebiam também pergolida e mudanças de dieta, o que dificulta isolar o suplemento; os produtos eram muito variados, em doses diferentes e muitas vezes combinados; e não havia grupo controle. Os dados, portanto, não provam que os suplementos funcionam nem que não funcionam.

Sobre o agnocasto, a literatura citada no artigo é contraditória: um estudo anterior viu queda de 34% no ACTH, mas sem significância estatística. A pesquisa dos autores indica que mais estudos são necessários.

O que sustenta o manejo (recomendações citadas pelos autores)

  • NSC: feno com ≤ 10–12% de NSC na matéria seca e concentrado com ≤ 20%; amido abaixo de 1,1 g/kg de peso vivo por refeição. Ajustar à condição corporal: feno de NSC muito baixo (< 10%) para cavalos acima do peso e NSC moderado (10–18%) para os de peso ideal.
  • Proteína: pelo menos os níveis recomendados para cavalos saudáveis, já que a atrofia muscular é comum na PPID. Lisina (20 g) e treonina (15 g) por dia melhoraram a retenção muscular em idosos (> 20 anos) em exercício leve.
  • Vitaminas e minerais: atender ou superar as necessidades de cavalos em exercício leve. Vitamina E (cerca de 3–5 UI/kg) e selênio podem ajudar nas defesas antioxidantes.
  • Gordura: útil para quem precisa de calorias, mas com cautela em cavalos com desregulação insulínica.
  • Magnésio e cromo: os resultados em cavalos são mistos.

Mensagem: dieta e pergolida continuam sendo a base; suplementos, quando usados, são complementares e não substituem o medicamento. Saiba mais sobre a doença em nosso conteúdo sobre PPID e veja por que baixo amido não é sinônimo de seguro.

Perguntas frequentes

Agnocasto funciona na PPID?

No levantamento, não houve associação com melhora percebida (P = 0,880), e a literatura é contraditória. O desenho do estudo não permite concluir causalidade, e mais pesquisas são necessárias.

O que não pode faltar na dieta de um cavalo com PPID?

Controle de NSC e amido, proteína e aminoácidos adequados, vitaminas e minerais no nível recomendado, vitamina E e selênio, com acompanhamento veterinário.

Posso trocar a pergolida por suplementos?

O estudo mostra que suplementos são usados como substituto por cerca de 20% dos tutores, mas os autores ressaltam que eles não substituem o tratamento farmacológico e devem ser apenas adjuvantes.

Por que tantos tutores percebem melhora se os dados não mostram associação?

Porque a avaliação era subjetiva, sujeita a expectativa e efeito placebo, e os cavalos recebiam outros tratamentos ao mesmo tempo, como pergolida e dieta ajustada.

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